06 maio 2016

Crônica: Como fazer amizade em São Paulo


Existem algumas formas infalíveis de fazer amizade em São Paulo, pelo menos aquelas amizades de cinco minutos, ou de dez quem sabe. Algumas coisas unem as pessoas de uma forma muito engraçada, e essas coisas são: caixa que não funciona mais, fila, trânsito e o clima. Definitivamente desde que São Paulo virou parte da minha rotina, tenho feito amizade com pelo menos duas senhoras por dia, ou mais, porque todas nós somos movidas por um elemento muito paulistano, a tal da pressa.
- Nossa,  como assim, um caixa só, e essa fila toda?
- Não é menina, como pode né? Eles acham que temos o dia todo... Só pode.
- Pois é, minha filha, e eu to indo é pra longe...
- E eu também, pra onde você está indo?
E assim basicamente começa uma conversa de cinco, oito minutos, até as pessoas serem separadas pelas catracas do metrô, ou pelos destinos diferentes do busão. O fato é que uma coisa todo mundo nesse mundo sabe fazer muito bem: reclamar. Não importa se a mulher a minha frente tem quarenta anos, e se a menina de trás tem quatorze, se estamos apressadas, esperando um ônibus chegar, ou algo voltar a funcionar, somos unidas pela impaciência, pela vontade de que as coisas normalizem. 
Viver em São Paulo é praticar constantemente o exercício da paciência, ou tentar aprende-lo. Se você quer chegar às sete, tem que sair de casa às cinco, se quer muito pegar aquele ônibus, de qualquer forma vai chegar atrasado no ponto e esperar meia hora o outro passar, se tiver sorte não vai ter nenhum acidente nas rodoviais, se tiver mais sorte ainda, não vai esquecer o guarda chuva em um dia que começou com sol e terminou nublado. Mas isso é de lei, você vai esquecer. Você vai pegar chuva.
Mas não é de todo ruim, com esse sentimento coletivo de insatisfação e pressa, você aprende que não está sozinho, porque não importa se a tia que pegou o metrô comigo na semana passada e começou a papear sobre a bipolaridade do clima, é de esquerda ou de direita, eu não sei o que ela faz aos finais de semana, eu não sei se ela é casada ou divorciada, mas no meio de nossa conversa de dez minutos até ela descer na Fradique Coutinho, a mulher me contou rapidamente sobre seu sonho de morar no interior, e disse que eu lembrava a irmã dela. A indignação com a bipolaridade do clima paulistano nos aproximou por dez minutos e essa pessoa não foi só mais uma de todo o caos do dia.
É possível encontrar sorriso em meio a bagunça paulistana, é possível encontrar alguém que te entenda quando você entra em uma fila de vinte minutos e fica revoltada, e a pessoa vai dizer:
- Vou chegar atrasada. - E você vai responder:
- Eu também.











4 comentários:

  1. Olá queridas!!! Tenho-vos a dizer que acho estas vossas crónicas fundamentais. É ótimo abordar temas tão importantes quanto os da amizade. Quem viaja pela primeira vez e sozinho, necessita de dicas como esta :)

    NEW OUTFIT POST | Lush Life.
    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  2. Olha com certeza todos nós nos unimos por uma causa maior, e o brasileiro adora reclamar mesmo haha
    Aqui no RS, volta e meia a gente faz essas amizades corriqueiras de cinco, oito minutos e as vezes até se encontra depois pelas ruas. E legal compartilhar um tempo com alguem, faz bem.
    Beijos
    neversaynever-believe.blogspot.com.br

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    1. Que legal saber que em RS é mais ou menos a mesma coisa, aqui em SP dificilmente nos encontramos nas ruas depois :/ hahaha
      Obrigada pelo comentário, bjs!

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