20 abril 2015

Tudo Passa

(foto de minha autoria)
Faz tempo, e esse tempo corre ignorando os faróis. Faz tempo, e a gente corre sem saber um do outro. Faz tempo, e esse tempo é impreciso, pode parecer ontem, mas pode parecer anos. Qual é desse tempo? Que te traz na minha memória fazendo tudo parecer agora. Mas já faz tanto tempo. E assim como te traz, te leva, no instante em que eu ando como se nunca houvesse nós dois.

A tristeza está nos muros da cidade, a tristeza está na escuridão do céu quando a cidade dorme, entre o meio fio, no frio. A poesia escorreu pelos olhos, o poema virou um rio. Mas não tem mais rima nesses dias de andar por aí, não tem mais rima na garoa e na solidão. Fim de tarde, eu sei que você está longe. Não tem mais rima nessas ruas que se prolongam e que fazem curvas, nesse asfalto que forma estradas, que nos separa.

Quero mergulhar no meu inconsciente, descobrir em qual sonho você apareceu, quero mergulhar no meu eu, só para eu ser o que era. Porque agora sou o que sou. Queria passar por aquele dia como se eu fosse encontrá-lo virando duas quadras, entrando em uma rua sem saída.

Domingo parece chorar, você se perde na suas loucuras quando o sol cede o céu. Domingo parecer dançar, melancólico. Deve ter algo de errado, anoiteceu e eu não percebi. Segunda ri de mim. Eu ando de novo por aí, as ruas sussurram “tudo passa”, passou o carro, passou o moço, nunca passa você. Mas ela tem razão, tudo passa.




2 comentários:

  1. Amei as combinações das palavras, o texto ficou lindo.
    Bjs, meninas

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