06 janeiro 2015

Inconstância

Eu não sei escrever.
Estamos correndo contra uma chuva e tudo que eu reparo é em como a tempestade se encaixa perfeitamente em nosso cenário.
Eu poderia escrever sobre as folhas jogadas no chão e suas mãos ocupando o espaço todo, mas eu não sei escrever. Poderia escrever sobre as cores diferentes que eu vejo rodear-nos, mas eu não sei muito como escrever.
Inconstância.
É nisso que eu penso. É tudo o que eu sinto.
Inconstância virando pólvora e explodindo-se ao infinito.
É inconstante a forma que eu vejo o tempo passar, sem certamente entender sobre a capacidade da velocidade em que os dias podem ir, apenas deixo-me ser alvo disso, porque tudo o que estamos dispostos a ser é ceder a esse desaparecer dos dias, prontos na tentativa de entender tantos outros.
Se eu soubesse escrever, descreveria a complacência das suas palavras matinais, e sobre as minhas palavras indolentes soando como cacos de vidro sendo varridos. Mas no fim, você sabe que eu só busco maneiras de aprender a ficar. Ficar no meio de toda essa inconstância.
Inconstância.
Afundando-se a qualquer profundeza.
Medindo as minhas preocupações e a sua leveza.
Ainda que haja tanto a insistir agora eu sinto como um sabor de fruta madura nas palavras que nos cercam. E há tanto a dizer. Mas eu queria saber escrever. Escrever sobre isso. Ainda que, de alguma forma o barulho das portas batendo não deva impedir nada. Ainda que o tempo estranho, não faz paramos de orbitar. E orbitamos em meio à inconstância de todas as nossas palavras.
Inconstância.
Nas palavras que deveriam ser ditas.
E nas que são apenas escritas.



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